Estava sofrendo mais uma vez daquela velha depressão que tem se tornado tão comum ultimamente e resolvi comprar algumas cervejas e me sentar em uma praça perto de casa, logo que achei um banco perfeito e escuro onde eu poderia em fim ter algum momento de paz em toda essa bagunça que se tornou minha vida, acendi um cigarro, abri a primeira cerveja e dei uma boa tragada.
Pensei em como as pessoas são descartáveis para outras pessoas, simplesmente descartáveis, pessoas com que num dia você trocou palavras de amor, pessoas com quem você trabalhou, pessoas com quem você estudou anos, riu, chorou, brigou e fez as pazes, e simplesmente foi descartado,tomo mais um trago e dou mais uma baforada no cigarro, após algum tempo essa pessoa nunca mais falou com você e por vezes quando você a encontrou na rua ela simplesmente fingiu que não te viu e continuou andando enquanto você esperava um aceno, uma palavra, um sorriso. Tudo simplesmente morre, não importa o quão próximos você parecia estar desta pessoa, simplesmente se torna descartável.
Eu vejo várias pessoas com quem tive contado durante anos as vezes e essa pessoa simplesmente passa por mim como se eu fosse um desconhecido, não sei se fui uma boa pessoa para justificar muitas vezes tal ato, mas eu sempre olho, sorrio e as vezes aceno para uma pessoa e ela desvia o olhar, talvez seja apenas um excesso de sensibilidade, mas as vezes eu esperava alguma atitude que demonstra-se alguma lembrança do que passei com certa pessoa. Mato a primeira garrafa e acendo mais um cigarro.
Eu particularmente tenho certo receio em cumprimentar alguém e esta pessoa continuar andando como se nunca tivesse me visto, como muitas vezes aconteceu, talvez algumas pessoas também pensem desta forma e por isso me ignoram, não sei ao certo, mas se uma pessoa fez parte da minha vida em algum momento, se eu ri, chorei, estudei, trabalhei, briguei e fiz as pazes com alguém por algum motivo eu sempre me lembrarei desta pessoa. Tomo mais um trago e dou mais uma baforada no cigarro. Lembro me de pessoas com quem divide um cigarro e sei que elas jamais pensaram em mim depois de tal fato, talvez as outras pessoas, aquelas que conseguem esquecer das coisas, talvez elas sejam mais felizes, sem preocupações.
Não sei ao certo quanto tempo divaguei sobre tais fatos ali naquela praça, sei que tantas pessoas me vieram a mente, pensei no que elas poderiam estar fazendo naquele momento, talvez estivessem transando, ou bebendo, ou rindo, ou mesmo escrevendo sobre seus sentimentos em um blog, sei apenas que vivo pensando em tais pessoas, vivo imaginando como será que esta sendo a vida delas, talvez apenas eu fosse tão descartável, dane-se, quem se importa.
Tomei mais um trago e dei mais um trago no cigarro, ouvi alguém brigando ao fundo, mas não virei a cabeça para ver quem era. No fundo sei que sou sentimental demais, talvez este seja o fator principal de algumas pessoas simplesmente se afastarem, pois por mais que eu tente me mascarar no fundo sou alguém que se importa com as pessoas que passam na minha vida. Ser sentimental é uma merda.
Queria ser como as outras pessoas e fazer de outras pessoas descartáveis, assim eu não me sentiria mau por passar por alguém conhecido.
Tomei o último trago da cerveja, coloquei as garrafas na sacola, acendi outro cigarro e voltei pra casa. Engraçado como as pessoas são descartáveis, apenas descartáveis.
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