Estranho não consigo pensar nela na cama com outra pessoa, é cruel de mais comigo mesmo, mas mesmo assim lá estou eu trepando com meia dúzia de pessoas que provavelmente eu jamais verei, lá estou eu bebendo mais do que deveria, fumando mais do que deveria, transando mais do que deveria.
O simples pensamento dela fazendo metade das coisas que fiz desde que ela partiu é um suicídio lento e doloroso, maldito é estes pensamentos. Em pensar quão estranhos somos, como podemos fazer coisas e então criticamos ou nos martirizamos quando alguém que gostamos faz tais coisas, é como a traição, creio eu, ninguém quer ser traído, mas ainda assim tem pessoas que traem, não sei o nome disto, talvez seja hipocrisia, talvez apenas falta de vergonha na cara, quem se importa?
Dói pensar que ela cedeu as investidas de um "amigo" e também foi se arrastar para ele, era obvio que eles se beijariam, odeio pensar nisto, prefiro pensar nos pássaros.
No fundo sei que essas transas casuais nada mais são do que uma tentativa inútil de preencher o vazio que ficou no peito, um vazio que a muito não me incomodava, mas que voltou quando ela partiu, talvez seja apenas isso que machuca, talvez eu não seja mais apaixonado por ela, mas sim pelo fato de ela completar este meu vazio.
Dane-se vou afofar este sentimento com uísque barato e vinho ruim.... Com fumaça de cigarro também, é claro, por quê não?
Eu também a trai, com uma garota que ela sequer conhece, não muda o fato, é traição! Mas por algum motivo a minha parece menos dolorosa que a dela, talvez porque ela fazia tudo na minha frente, na nossa casa, com meus amigos e familiares perto, lá estava ela com aquele shorts tão curto quanto uma calcinha rebolando aquela bunda enorme pra ele, discretamente, mas estava. Foda-se é passado, mas mesmo assim dói.
Lembro-me de quando eu e ela éramos apaixonados, quando no domingo quando ela estava em casa logo que acordávamos tomávamos café da manhã juntos, sempre tinha pão de forma com passas, yorgut, pasta de avelã, depois eu levava o colchão até a sala e nos deitávamos, colocávamos um filme e começávamos a fazer AMOR, fazíamos até machucar, até não agüentarmos mais, e então a gente descansava, fumávamos um cigarro, descíamos até um mercado e comprávamos um lanche natural pra cada, ela nunca conseguia terminar e tínhamos que levar pra casa, então voltávamos. Trocávamos caricias, as vezes até tentávamos começar de novo, mas doía pra caralho.
Céus como os apaixonados são tolos... felizes, mas tolos!
Eu trocaria todas essas transas sem sentido pra ter apenas um daqueles domingos de volta, talvez por saber que nada daquilo voltara eu estou perdido no meio das coxas de uma estranha.
