sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Não é a falta de amor que me mata, é o excesso dele!

    Meu coração se despedaça a cada dia, a cada lembrança perdida dentro da minha mente, despertada por uma palavra, um filme, um gesto, qualquer coisa que me faça lembrar alguma delas, minha mente é como um cemitério onde eu tento enterrar todas as minhas memórias, mas toda a noite elas saem ainda mais fortes do que na noite anterior e eu tenho que lutar contra todas elas e coloca-las de volta pra dormir e então eu me sento e espero até que anoiteça e todas elas se levantem novamente.
 
    Amo cada garota por quem me apaixonei em dado momento da minha vida com a mesma intensidade de quando as conheci, isso me corrói por dentro, lembro-me de singularidades delas como se as tivesse visto ontem, embora eu não veja mais nenhuma delas, algumas fazem anos que não vejo, não sei se elas estão bem, o que elas estão fazendo, sei apenas de uma coisa: nenhuma delas esta escrevendo sobre mim neste exato momento.
   Lembro-me da jovem que eu ia encontrar na porta da escola, e ela matava aula conversando comigo atrás da escola, falávamos sobre magia, amor, nossas vidas, nossos problemas, ela me mostrava suas cicatrizes de mais uma tentativa frustrada de ceifar a própria vida, eu a olho nos olhos e desejo absorver toda aquela dor pra dentro de mim, e de certa forma eu absorvo pois quando chego em casa vou para o banheiro tomar banho e choro como se toda aquela dor do mundo que ela sentia entrasse em mim. E os dias passavam e eu me apaixonava ainda mais por ela, enquanto ela tentava manter distancia, encontro-a num dia qualquer no centro da cidade e vamos juntos embora, ela estava tomando algum remédio de tarja preta, ela dizia que era pra relaxar, nos sentamos em um banco e finalmente nos beijamos, não sei descrever o que eu senti naquele momento. Os dias passam e ela encontra outra pessoa, sei que ele jamais a amaria como eu amo, desde então nos falávamos menos durante as semanas até que finalmente não nos falamos mais.  Creio eu que fazem três anos que não nos falamos, sei que ela se esqueceu daquela sensação que sentíamos quando estávamos juntos, e eu a enterrei no meu cemitério.
   Quando me mudei pra Brasília logo conheci um anjo em forma de uma garota de cabelos pretos, me apaixonei assim que a vi e pela primeira vez eu tive coragem de falar com uma garota de tamanha beleza, perguntei seu nome, ela me disse e eu disse o meu, eu não tinha percebido, mas estava completamente perdido em seus olhos claros, com o tempo começamos a conversar até que um dia após ir encontra-la, conversando, pedi-lhe um beijo e ela me deu, simplesmente eu poderia morrer naquele exato momento que não me incomodaria, pois eu estaria nos braços dela. Ficamos mais próximos com o tempo e ela pediu pra namorar comigo, perguntei-lhe se era de fato o que ela queria, na minha cabeça apenas não entrava o fato de um ser tão lindo querer estar ao meu lado. Ela respondeu que sim e assim o tempo passou, porém naquela época sofri com a minha maior crise de todas, tudo me doía, cada palavra, olhar ou mesmo a falta de ambos, tentei o suicídio das mais diversas formas, ingeri doses de remédio muitas vezes com álcool, tentei me enforcar e cortar os pulsos no banho, mas a imagem dela sempre vinha em minha mente e eu não conseguia pensar em outra coisa se não passar mais um dia ao lado dela,  foi também naquela época que fiz cortes tão profundos no meu corpo apenas pra transferir a dor que eu sentia por dentro, ela também se cortava, e isso me rasgava por dentro, eu queria acima de tudo que ela sorrisse e nada mais, porém eu me abria demais sobre meus sentimentos com ela e num dia ela disse que me amava e no outro disse não querer mais estar comigo, mesmo escrever sobre isso agora eu ainda sinto aquela fisgada na garganta. Passei por outra fase de merda e foi quando passei a beber, bebia todos os dias, o que estivesse na minha frente apenas pra me sentir um pouco melhor, sem contar a cocaína que hora me levantava e depois me derrubava tão violentamente que eu não sentia mais vontade de ficar em pé, foi então que certo dia minha mãe foi até Brasília me buscar e assim como a primeira eu enterrei a segunda dentro de meu cemitério.
    A terceira era como um anjo gótico, calada, fria, mas tão doce e tão inocente que eu me sentia mau em estar com ela, sentia que podia corromper aquela linha tênue de sua inocência apenas por ela estar ao meu lado, ela sempre me olhava com olhos que me colocavam como o Deus de seu mundo em preto e branco, u queria que ela focasse em outras coisas além de mim, embora em contra-partida eu a queria apenas para mim, foi então que mesmo com meu peito doendo e sangrando eu tive que deixa-la ir, e então eu a enterrei no meu cemitério.
    A quarta morou comigo durante meses e foi a primeira que eu disse: "Casa comigo?", ela disse sim, e nós moramos juntos, sei que não fui a melhor pessoa do mundo, não conseguia controlar, eu apenas fazia coisas pra ver se ela me amava realmente coisa pra ver se ela ficaria ao meu lado, mas ela me colocava pra baixo, me reduzia a nada, e por mais que eu tentasse eu simplesmente não conseguia me desligar dela, creio que a sensação de estar sozinho era pior do que a sensação de ser posto no chão, mas não vou dizer que eu era infeliz, pois eu não era, eu a tinha do meu lado e aquilo era tudo que eu queria, mesmo eu fazendo parecer o contrario. Mas enfim um dia ela decidiu ir embora, eu aceitei pois finalmente eu poderia me livrar daquela paixão doentia que me prendia, lembro-me e segura-la em meus braços quando ela também tinha seus ataques, lembro-me de coloca-la para dormir a segurando forte. Mas acabou e tive que enterra-la em meu cemitério.
    Mais uma delas eu simplesmente não consigo enterrar em meu cemitério, mesmo que todas se levantem durante a noite para reabrir velhas feridas que jamais e curam, uma delas não me causou nenhuma cicatriz, apenas ajudou a curar aquelas que já estavam abertas, mas é claro que eu não a deixaria se aproximar de mim pois sou como uma doença e tudo aquilo que toco se torna uma maça preta e sem alma, não consigo me ver com uma pessoa comum, não consigo pensar em ter filhos, não consigo pensar em mim daqui a dez anos, não queria que ela entrasse em meu mundo, embora meu coração chorasse e implorasse pra que eu a abraçasse e beijasse seu lindos lábios, eu simplesmente tive que lutar contra tudo isso para que ela pudesse sorrir... mesmo que com outra pessoa a segurando nos braços, é mais fácil a ver sorrindo nos braços de alguém que a faz feliz do que chorando nos braços de alguém que fingi sorrir pra que o monstro dentro de mim não mostre a cara novamente para alguém que amo... Escrever isto me ajudou a coloca-las pra dormir novamente, terei algumas horas de tranquilidade dentro do meu ser até que elas resolvam sair novamente.
   Claro que muitas outras pessoas passaram pela minha vida e amo a todas essa também, hoje nenhuma delas fala mais comigo, todas vivem as suas vidas enquanto a minha simplesmente escorre por entre as minhas mãos, Amo a todos e hoje sei que o que me mata não é a falta de amor e sim o excesso dele!





Durante todo esse processo de coloca-las para dormir ouvi esta música de uma de minhas bandas favoritas, então se você quiser ouvi-la, bem o vídeo esta logo ai encima.

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