Engraçado que eu só venha falar de Brasília agora que estou a dois dias de ir embora, mas eu tentei de todas as formas me comprometer a escrever sobre minha viagem, mas não sou o tipo de pessoa compromissada.Brasília começou bem, como eu previa que seria, cheguei no dia 4 e vi meus amigos, estive com pessoas que eu gosto, pude beber com amigos, conversar, matar uma saudade de mais de 2 anos, o que foi ótimo, estive com uma garota irmã gêmea de uma ex-namorada, ficamos, nos divertimos estava indo tudo bem, pude rever meus melhores amigos, estava indo tudo bem, fiquei bêbado, transei, ri, vomitei... Tudo como o planejado, porém de uma hora pra outra as coisas começaram a desmoronar, falei mais do que devia, magoei amigos, outros simplesmente se afastaram, nunca quis tanto estar em casa como eu quis estar a dois anos atrás quando eu morava em Brasília, a vida foi tornando-se monótona, tediosa, apenas pensamentos incompletos, o velho pensamento suicida, o exílio... O suicídio e o exílio eram as coisas boas, o tédio era horrível, o tédio era sufocante, não importava a onde eu estava ele sempre me perseguia.
Pra piorar ainda fiquei completamente sem dinheiro logo pelo dia 15, tive que ficar a merce das pessoas me emprestarem dinheiro, isso é horrível, não ter dinheiro, deixa o mais orgulhoso dos homens como um cão sentado abaixo da mesa esperando que as migalhas caíam para que ele possa comer, fiquei completamente por esse sentimento podre, se ao menos eu tivesse o uísque, não me importaria tanto, o uísque é uma benção, ele me matará, mas a gente pode morrer a qualquer momento, uma mulher ciumenta, um acidente de carro, uma comida estragada, podemos morrer a qualquer momento, mas o que importa de fato é a maneira, morrer pelo uísque me parecia uma ótima forma de morrer, uísque e cigarros... Mas não tinha grana pra ambos.
Pra piorar ainda fui roubado duas vezes, levaram meu celular e toda a merda de dinheiro que eu tinha, Malditos ladrões levaram até minha dignidade... Eu pretendia troca-la por uísque.
Meu natal passei com meus irmãos por parte de pai, eu não os conhecia até então, o que acabou por ser o meu melhor presente de natal, não que eu o comemore, mas já que os cristão roubaram tantos feriados durante as eras, porque eu sendo ateu não poderia desfrutar de um feriado "cristão"?
A passagem de ano´passei com amigos, e pela primeira vez em semanas eu estava me sentindo bem novamente. Bebemos, rimos, conversamos, nos abraçamos, foi de fato ótimo, algo revigorante pra mim, pude voltar pra casa menos puto da cara.Esse período em Brasília também acabou por ser um período de muita auto-reflexão, e de olhar parar as coisas, colocar ponto final em velhas histórias, deixar o egoísmo de lado e perceber quem nem sempre o que queremos é o que podemos e principalmente, devemos ter... Percebi o quão falho sou em tantas coisas, e como as vezes não consigo deixar certos sentimentos irem com o tempo, apenas os mascaro.... Alguém pergunta: "ta tudo bem?", "Sim claro, estou ótimo!" eu respondo, mascare tudo, minta, sinta essa merda e viva. Esqueça e viva.
Agora porém estou indo embora, poderei voltar a minha casa, voltar aos braços da pessoa que ultimamente vem roubando meus sentimentos, quero beija-la, abraça-la, quero fazer amor com ela. Quero esquecer por um tempo Brasília, quero esquecer que ela existe, preciso de um tempo para me recuperar dela, assim como sempre foi, preciso sentar numa cadeira, acender um cigarro, dar um trago num uísque ruim, completamente nu ao ar livre, e dizer: " Esta tudo bem, já passou, seu pequeno pedaço de merda, já passou, agora termina logo esse cigarro e vamos cagar"... Preciso disso, e depois de tudo quero me masturbar ao som de pássaros e tiros, ao perfume de escapamentos e merda, quero sentir Bragança Paulista novamente, sentir toda essa merda de São Paulo, sentir que faço parte disso novamente, arrumar um sub-emprego e me afogar na rotina, quero sentir essa merda de novo.
Brasília, Brasília, Brasília.... Minha vagabunda iluminada, minha musa, meu grande amor, meu refúgio e meu mártir, não quero beijar teus lábios tão cedo, mas você e eu sabemos que não resisto ao balançar do teu quadril e logo estarei me embrenhando por entre as sua buceta com cheiro de âmbar novamente, logo volto pros teus braços e quero neles morrer, o bêbado morto nos braços de sua dama, de sua meretriz, de sua grande paixão.



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